
Com vão livre de 147 metros de comprimento, nova sede marca história de BH e processo de desenvolvimento da Região Metropolitana
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, participará, nesta terça-feira (13/10), na Cidade Administrativa, da retirada dos pilares provisórios que sustentam o edifício da futura sede do Governo do Estado. Projetado por Oscar Niemeyer, o edifício de quatro pavimentos, será o maior prédio suspenso do mundo e é considerado uma das mais ousadas obras do arquiteto em 70 anos de carreira. Com vão livre de 147 metros de comprimento e 26 metros de largura, a nova sede do governo estadual deverá se tornar um importante marco da arquitetura moderna e urbanística da capital e do processo de expansão e valorização do Vetor Norte da Região Metropolitana de BH.
O prédio da sede do Governo faz parte do primeiro lote das obras da Cidade Administrativa, complexo formado por cinco prédios que abrigará 16 mil servidores e todo o conjunto da administração direta do Estado. As edificações já foram concretadas e entraram, agora, em fase de acabamento. Elas abrigarão as secretarias e órgãos estaduais que, hoje, funcionam em 53 endereços diferentes.
Revestido totalmente em vidro, o prédio foi construído sobre 30 pilares metálicos provisórios, que permitiram a realização da obra na ordem natural, do primeiro pavimento até a cobertura. Com a retirada dos pilares, o edifício ficará totalmente sustentado por 30 tirantes formados por conjunto de 36 cabos de aço. Ao todo são 1.080 cabos que estão presos em 15 vigas de concreto de 20 metros de comprimento e 3,4 metros de altura, localizadas na parte superior e apoiadas em dois grandes pórticos paralelos de concreto armado. A estrutura do prédio foi concebida para suportar cargas em torno de 34 mil toneladas.
Antes de iniciar a fase de acabamento do prédio, teve início o processo de transferência gradual da carga dos pavimentos – até então aplicada nos pilares provisórios – para os cabos de aço, sustentados pelos pórticos e cobertura do prédio, o que deixará o prédio suspenso. O processo de migração das cargas durou 30 dias e foi minuciosamente monitorado por engenheiros e técnicos responsáveis.
A estabilidade do bloco de concreto suspenso, contra a ação dos ventos, será garantida com o apoio das passarelas de acesso que fazem ligação com a torre de elevadores.
A futura sede abrigará cerca de 300 funcionários. Além dos quatro pavimentos, o prédio é formado por subsolo e pilotis, totalizando 21 mil metros quadrados de área construída. Em seu interior, contará com um salão de 1.200 metros quadrados de área que será destinado a solenidades oficiais, biblioteca e serviços de apoio.

Poesia em concreto armado: a marca da obra de Oscar Niemeyer
Ao projetar a Cidade Administrativa de Minas Gerais e traçar o vão livre de 147 metros, Oscar Niemeyer afirmou buscar não só a beleza e funcionalidade das formas, mas permitiu que a engenharia e a construção civil, mais uma vez, dessem um passo à frente e acompanhassem suas ideias modernistas. Com 80% dos trabalhos concluídos, as obras deste prédio e de toda a Cidade Administrativa completam 22 meses de construção.
Além de permitir uma gestão mais eficiente dos serviços públicos, a centralização das unidades de governo vai gerar uma economia de R$ 85 milhões/ano em relação às despesas atuais com custeio de manutenção. O Governo vai economizar principalmente em aluguéis, telefonia, transporte, manutenção de prédios e outros serviços a partir de 2010.
A Cidade Administrativa terá um público flutuante estimado em mais 5 mil pessoas. O valor da obra, de R$ 948 milhões, é custeado integralmente pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), recursos com destinação exclusiva para investimentos em infraestrutura e desenvolvimento do Estado.
No complexo, os servidores estaduais terão condições adequadas de trabalho. Os prédios arrojados e modernos foram divididos a partir de um plano diretor de ocupação, possibilitando maior ordenação e integração dos espaços de trabalho. O novo mobiliário foi projetado para aproveitar melhor o espaço e dar mais conforto aos funcionários.
O nono pavimento de cada prédio será aberto, com paisagismo e linhas arquitetônicas próprias e comporá ambiente diferenciado em meio aos andares de escritórios, com restaurante, cafeteria, biblioteca e cyberespaço (rede wi-fi, com internet sem fio). Os servidores também terão área dedicada à refeição em 52 refeitórios equipados com fornos microondas e balcões frigoríficos.
No lado externo, dois lagos ocuparão 67 mil metros quadrados de área. Todo o terreno tem 804 mil metros quadrados. Também integram o complexo, um auditório com capacidade para 500 lugares, a Praça Cívica, construída em frente à sede do governo, e, ainda, todos os serviços de infra-estrutura da Cidade Administrativa.
O desafio do arquiteto Oscar Niemeyer, que completa 102 anos em dezembro, na Cidade Administrativa, foi dar vida ao vão livre suspenso, ressaltando a leveza do projeto. No Brasil, o próprio Niemeyer idealizou projetos semelhantes, com o prédio da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, com um vão de 40 metros, inaugurado há oito anos, e o Museu Nacional de Brasília, com uma cúpula de 80 metros. Até entao, o maior vão livre construído no país foi no prédio do Museu de Arte Arte de São Paulo (Masp), projetado por Lina Bo Bardi com de 74 metros.
A Cidade Administrativa será a 15ª obra de Oscar Niemeyer em Belo Horizonte. As sinuosas curvas do conjunto arquitetônico da Pampulha, projetado nos anos 40, deram nova identidade para a região Norte da capital mineira e se transformaram no principal cartão postal da cidade, hoje cultuados por todos os brasileiros.
Auditório
Localizado ao lado da Sede do Governo, o auditório é considerado a edificação que melhor representa o estilo de Oscar Niemeyer. Construído em forma côncava, semelhante a obras do arquiteto em Belo Horizonte e outras partes do mundo, o prédio também chama a atenção pelo elemento vazado, que corresponde à figura de um olho e representa 30% da construção. São 10 metros de altura entre a cobertura em casca e a laje inferior em curva. No total, a obra tem 20 metros de altura.
Com 4 mil metros quadrados de área construída, o prédio foi dividido em três níveis. O primeiro nível será destinado à garagem de serviços e o segundo pavimento abrigará o foyer e outras instalações de apoio, como depósitos e banheiros. A platéia será acessada por escadas laterais a partir do segundo pavimento ou por uma rampa em curva, situada na parte externa do edifício. Com modernos recursos de multimídia, o auditório será utilizado para eventos do Governo do Estado e dos servidores.

Prédio das secretarias
Nos dois prédios de 15 andares, vãos livres e elementos vazados também proporcionam soluções diferentes das estruturas tradicionais da engenharia. Os prédios que abrigarão as atuais 18 secretarias e 25 órgãos públicos têm sua estrutura composta por cinco setores, como se fossem cinco prédios separados por uma junta de dilatação de dois centímetros, que formam os edifícios como são vistos de fora. Para vencer os grandes vãos propostos pelo arquiteto, foram projetadas vigas protendidas, reforçadas com cabo de aço.
A construção de cada edifício foi iniciada a partir do centro até as extremidades, em forma de pirâmide. Enquando o setor 3 (central) concretava a laje seguinte, os setores vizinhos 2 e 4 iniciavam a próxima laje em andamento e os setores 1 e 5 (extremidades) começavam a ter sua construção liberada. O procedimento facilitou os trabalhos e garantiu mais agilidade à obra. Com 240 metros de extensão em curva, cada prédio terá área de 116 mil metros quadrados. Os dois prédios das secretarias já foram concretados e, atualmente, estão em fase de acabamentos e instalações internas.

Centro de Convivência
Oscar Niemeyer também deixou sua marca no Centro de Convivência, prédio que abrigará restaurantes, lojas e agências bancárias, entre outros serviços.
A edificação, com dois pavimentos em formato circular, está localizada entre os dois prédios das secretarias e também se encontra em fase de acabamento. Com 4,5 mil metros quadrados de área, é ligada aos dois prédios por meio de um túnel.
Estruturas em curvas, grandes vãos livres e balanços nas extremidades das edificações (extremidades sem pilastras de sustentação) são detalhes da genialidade do arquiteto. Em formato inteiramente circular, o prédio é formado por vigas radiais, que partem do centro para sua extremidades, e por vigas circunferenciais, que contornam o prédio em formato de circunferência.
Área Verde
O projeto paisagístico da Cidade Administrativa vai oferecer conforto e qualidade de vida aos servidores e ao público que visitar o complexo de prédios. O projeto contempla 114 espécies representativas da paisagem do Estado e das referências culturais mineiras – inicialmente plantadas em pequeno e médio porte – e promete surpreender quem passar pelo local. Entre as atrações, uma alameda com 146 palmeiras imperiais e um canteiro de barrigudas (palmeiras ornamentais) junto à Linha Verde. O espaço servirá ainda de abrigo para a fauna local.
Obras que desafiaram a engenharia no Brasil
No Brasil, três obras ficaram famosas por desafiarem a engenharia, o Museu de Arte de São Paulo (MASP), a ponte Octávio Frias de Oliveira, em São Paulo, e a ponte Hercílio Luz, em Florianópolis (SC).
Inaugurado em 1947, o prédio do Masp tem vão livre de 74 metros, até então o maior construído no país. Projetado pela arquiteta modernista italiana, Lina Bo Bardi, o edifício foi construído em terreno da avenida Paulista, de maneira que preservasse a vista para o centro da capital. Desta forma, a arquiteta idealizou um edificio sustentado por quatro pilares.
Em construção civil é único no mundo pela sua peculiaridade: o corpo principal pousado sobre quatro pilares laterais. Essa estrutura avançada exigiu uma solução cujo desafio foi aceito pelo professor Dr. José Carlos de Figueiredo Ferraz, que aplicou seu sistema de protensão. Os cálculos foram feitos pelo professor José Lourenço Castanho. Construído durante 12 anos, a nova sede do Masp foi inaugurada em novembro de 1968 com a presença da Rainha Elizabeth II, da Inglaterra.
Também em São Paulo, a ponte Octávio Frias de Oliveira, inaugurada no ano passado, quase 60 anos depois do MASP, chamou atenção pela grandiosidade. Sustentada por 144 cabos com 492 toneladas de aço, a ponte é mais conhecida como Ponte Estaiada, já que a pista por onde passam os carros está suspensa por cabos.
Diferentemente da ponte pênsil, como a Golden Gate (EUA), a Ponte Estaiada tem vários cabos ligados a um mastro de 16 metros, que funciona como um pilar, caracterizando a definição de obra estaiada sustentando a pista. Com 900 metros, a nova ponte foi construída, durante dois anos, com 58.700 metros cúbicos de concreto e mais de 7 mil toneladas de aço em todo o projeto.
Em Florianópolis, a ponte Hercílio Luz foi construída para ligar o continente à ilha de Santa Catarina. É uma das maiores pontes pênseis (sustentada por cabos) do mundo e a maior do Brasil. Teve sua construção iniciada em novembro de 1922 e foi inaugurada quase quatro anos depois, em maio de 1926. O comprimento total é de 819 metros, com 259 metros de viaduto insular, 339 metros de vão central e 221 metros de viaduto continental.
A estrutura de aço da Hercílio Luz tem o peso aproximado de 5 mil toneladas e os alicerces e pilares consumiram 14.250 metros cúbicos de concreto. As duas torres medem 75 metros a partir do nível do mar e o vão central tem altura de 43 metros.
Pampulha – alvo das críticas nos anos 40 e 50
As obras do conjunto arquitetônico da Pampulha – formado pela Igreja de São Francisco, a Casa do Baile, o Cassino, Iate Tênis Clube – foram encomendadas ao arquiteto Oscar Niemeyer pelo então governador Juscelino Kubitschek. Na época, o projeto recebeu críticas pela forma arrojada e por suposta falta de função social.
O arquiteto e poeta Joaquim Cardoso defendeu a obra de Niemeyer argumentando que o conjunto da Pampulha seria um dos únicos projetos arquitetônicos do Brasil que tinha finalidade coletiva e social já que todos os prédios estavam abertos para uso da população, como a Igreja de São Francisco, a Casa do Baile e o Cassino.
O conjunto da Pampulha se tornou um marco da arquitetura moderna no Brasil e no mundo. Passados 60 anos, continua sendo admirado por todos. Ainda integra a esse espaço urbano, o Jardim Zoológico, o complexo Mineirão-Mineirinho e o Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego, construído em área degradada pela ação do assoreamento da Lagoa da Pampulha. São obras que atraem milhares de visitantes todos os anos.
Niemeyer também deixou sua marca em outras 14 obras na capital mineira, entre elas o Edifico Niemeyer, na Praça da Liberdade (Funcionários), o Conjunto JK (Barro Preto), a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (Funcionários), o Colégio Estadual Central (Lourdes), o edifício do antigo Bemge (Centro) e o Palácio das Artes (Centro).
O arquiteto assinou juntamente com o engenheiro Lúcio Costa, o projeto arquitetônico de Brasília, inaugurada em 1960, obra que lhe rendeu prestígio internacional. No Brasil, projetou outras obras importantes como os conjuntos Ibirapuera, COPAM e o Memorial da América Latina, em São Paulo; o Museu de Arte Moderna de Brasília; e o Centro de Convenções do Riocentro, no Rio de Janeiro, o Museu de Arte Contemporânea e o Caminho Niemeyer, em Niterói (RJ).
No mundo, são dele os projetos da sede das Nações Unidas, em Nova York (EUA); o Museu de Arte Moderna de Caracas (Venezuela); a sede do Partido Comunista em Paris (França) e a sede da Editora Mondadori, em Milão (Itália); além de outros projetos na Argélia, Israel, Líbano, Congo, Cuba, Inglaterra, Bolívia, Bélgica, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Portugal, Cabo Verde, Uruguai e Alemanha.
Mais informações:
Assessoria de Imprensa do Governador – André Gobira – 3299-4049/9956-6124
Assessoria de Imprensa da Codemig – Paulo Márcio – 3207-8966/8833-3020
Paulo Boa Nova – 3207-8885/9692-6241